Economia
Governo francês sobrevive a moções de censura contra o orçamento
Após estes chumbos, a França tem assegurado um orçamento que nasce de meses de negociações.
As duas moções contra o governo francês, apresentadas pela esquerda e a direita radicais, foram chumbadas esta segunda-feira. Com o chumbo das duas moções de censura, a França terá um orçamento aprovado após meses de negociações.
À esquerda, Stéphane Peu, do Partido Comunista Francês, afirmou que o orçamento segue a “mesma doutrina, mesmos vencedores, mesmos perdedores, uma França baseada em dividendos que suga até a última gota a França da classe trabalhadora", acusando ao mesmo tempo o governo de “enfraquecer os serviços públicos” com um programa de austeridade.
À direita, Gaëtan Dussaussaye, da União Nacional, apontou que o orçamento é “feito por incompetentes”, criticando a “falta de ambição” em matéria de imigração e agricultura, e acusou os deputados que votassem contra a moção de censura de “cúmplices” do governo.
Os socialistas, representados por Hervé Saulignac, afirmaram que preferiram “evitar o pior”, ao votar contra as moções de censura, enquanto Nicolas Ray, dos Republicanos, sublinhou que “seria uma loucura derrubar o governo” e “deixar a França sem orçamento”.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, denunciou um “estado permanente de desordem”, e apelou à necessidade de haver um orçamento aprovado para o país, assegurando que o défice se irá manter nos cinco por cento.
A apresentação das moções de censura vem na sequência da ativação do artigo 49.3 da Constituição francesa para viabilizar o Orçamento do Estado sem a aprovação do parlamento. A moção da esquerda radical teve 260 votos a favor, enquanto a da direita radical teve apenas 135.
O Orçamento do Estado foi aprovado após negociações com o Partido Socialista, que permitiu garantir os votos suficientes para a viabilização. As medidas negociadas incluem a suspensão do controverso aumento da idade de reforma para os 64 anos até 2027, sobretaxa sobre as grandes empresas e o aumento da contribuição social geral sobre os rendimentos do capital.
Instabilidade política com as presidenciais à porta
As negociações orçamentais em França perduram há quase dois anos, desde que as eleições antecipadas de 2024 - convocadas pelo presidente Emmanuel Macron - resultaram num parlamento dividido entre a esquerda e esquerda radical da Nova Frente Popular, os centristas de Macron e a direita radical da União Nacional de Jordan Bardella.
Macron, que agora se aproxima do final do segundo mandato, tem estado mais focado na política externa, defendendo que a Europa deve ser menos dependente das potências estrangeiras e criticando o presidente norte-americano, Donald Trump, pelos recentes acontecimentos, nomeadamente o desejo de posse da Gronelândia ou a implementação de tarifas a outros países.
Dois nomes do centro-direita, Edouard Philippe e Gabriel Attal, do partido Horizontes e Renaissance, respetivamente, estão na corrida presidencial de abril de 2027 e, segundo as sondagens, têm ganho destaque nos últimos tempos, numa corrida atualmente liderada pela direita radical União Nacional, onde Jordan Bardella e Marine Le Pen lideram as intenções de voto.
À esquerda, Stéphane Peu, do Partido Comunista Francês, afirmou que o orçamento segue a “mesma doutrina, mesmos vencedores, mesmos perdedores, uma França baseada em dividendos que suga até a última gota a França da classe trabalhadora", acusando ao mesmo tempo o governo de “enfraquecer os serviços públicos” com um programa de austeridade.
À direita, Gaëtan Dussaussaye, da União Nacional, apontou que o orçamento é “feito por incompetentes”, criticando a “falta de ambição” em matéria de imigração e agricultura, e acusou os deputados que votassem contra a moção de censura de “cúmplices” do governo.
Os socialistas, representados por Hervé Saulignac, afirmaram que preferiram “evitar o pior”, ao votar contra as moções de censura, enquanto Nicolas Ray, dos Republicanos, sublinhou que “seria uma loucura derrubar o governo” e “deixar a França sem orçamento”.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, denunciou um “estado permanente de desordem”, e apelou à necessidade de haver um orçamento aprovado para o país, assegurando que o défice se irá manter nos cinco por cento.
A apresentação das moções de censura vem na sequência da ativação do artigo 49.3 da Constituição francesa para viabilizar o Orçamento do Estado sem a aprovação do parlamento. A moção da esquerda radical teve 260 votos a favor, enquanto a da direita radical teve apenas 135.
O Orçamento do Estado foi aprovado após negociações com o Partido Socialista, que permitiu garantir os votos suficientes para a viabilização. As medidas negociadas incluem a suspensão do controverso aumento da idade de reforma para os 64 anos até 2027, sobretaxa sobre as grandes empresas e o aumento da contribuição social geral sobre os rendimentos do capital.
Instabilidade política com as presidenciais à porta
As negociações orçamentais em França perduram há quase dois anos, desde que as eleições antecipadas de 2024 - convocadas pelo presidente Emmanuel Macron - resultaram num parlamento dividido entre a esquerda e esquerda radical da Nova Frente Popular, os centristas de Macron e a direita radical da União Nacional de Jordan Bardella.
Macron, que agora se aproxima do final do segundo mandato, tem estado mais focado na política externa, defendendo que a Europa deve ser menos dependente das potências estrangeiras e criticando o presidente norte-americano, Donald Trump, pelos recentes acontecimentos, nomeadamente o desejo de posse da Gronelândia ou a implementação de tarifas a outros países.
Dois nomes do centro-direita, Edouard Philippe e Gabriel Attal, do partido Horizontes e Renaissance, respetivamente, estão na corrida presidencial de abril de 2027 e, segundo as sondagens, têm ganho destaque nos últimos tempos, numa corrida atualmente liderada pela direita radical União Nacional, onde Jordan Bardella e Marine Le Pen lideram as intenções de voto.